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A GRANDE ALEGRIA

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À arte basta seu próprio fardo para carregar

Esta exposição começou a se delinear há pouco mais de oito meses como uma tentativa de acompanhar o que se convencionou chamar de arte contemporânea, mas também não fugindo de pensar o tempo onde ela está inserida (o nosso tempo).

Desta forma, sua estrutura apoiou-se em duas questões: a satisfação que o artista tem ao “fazer arte” e sua procura por representar algo que está além dele, até porque desconhecido de si próprio.

Ao mesmo tempo que a arte contemporânea não reconhece limites nesse seu fazer, ela não aplaca a angústia que ronda a produção do artista; como bem disse Agambem sobre ser contemporâneo: “... ser pontual num compromisso ao qual se pode apenas faltar”.

Os trabalhos aqui expostos não querem, por exemplo, a dimensão grandiosa almejada por uma arte política ou uma arte “lúdica”. É através da contraposição que eles se mostram. Ou do diálogo, ou de uma certa ironia.

Então, na entrada temos trabalhos que utilizam objetos banais ou industrializados ou que se valem da tecnologia. Enquanto Anne Cartault utiliza seus infláveis e bichinhos para colocar questões de percepção sobre cor e luz de uma forma enganosamente lúdica, Renato Pêra usa de recursos de computação gráfica para simplesmente nos embevecer; César Fujimoto com sua colméia gigante, que poderia ser feita em uma linha de montagem, tece um elogio ao labor e ao pensamento, camuflados em formas geométricas.

Na sala 2 temos Fábio Morais com “Copo d’água”, Helena Carvalhosa, Carla Chaim e Jeff Chies. Fábio e Helena tem trabalhos fortemente conceituais mas, enquanto o primeiro tem este conceito mais ancorado no pensamento e em ironia um tanto ácida, Helena o faz sob pensamento alegre e aí, a ironia permeada por uma certa melancolia. Carla Chaim mostra não uma obra “pronta”, como se esperaria em uma exposição, mas seu processo de trabalho. Da mesma forma que Jeff traz sua pintura que tem a dimensão de suas questões.

Na sala 1 a obra “Sampa” de Fábio Morais traz um dialogo estreito com as xilogravuras de Fernanda Simionato. Assim como a outra pintura de Jeff dialoga com as fotos de Rafaela Jemmene nas quais acabamos, também, por perder as referências do que elas representam.

A escada tem duas obras: sob ela, Felipe Bittencourt traz uma instalação onde a alegria está escondida entre ruídos e estórias. Acima, Paula Almozara junta palavras e imagens que nos fazem construir paisagens diferentes cada vez que olhamos.

Na sala superior (4) somos recepcionados pela singeleza de um dos objetos de Helena Carvalhosa. Da porta vemos “Chiaroscuro” de Marcela Tiboni, uma das traduções possíveis para a frase “à arte basta seu próprio fardo para carregar” com sua tentativa de trazer a história da arte para perto de si. Da mesma forma Rogério Pinto traz duas pinturas que, em contraposição ao trabalho de Marcela, faz da pintura algo leve. Felipe Barros traz dois vídeos onde vemos a alegria das coisas simples alternar-se com o travo que vem junto com temor do passar do tempo. Este mesmo tempo de Felipe, mas também o tempo de Marcela, se juntam na foto de Márcia Gadioli, onde uma certa decadência se traduz na árvore em primeiro plano. Rosângela Rennó traz uma série da “Cerimônia do Adeus”; essa ironia amarga do título e a tecnologia de reprodução das fotos dialoga com o trabalho de Adriana Affortunati sobre momentos felizes convertidos em tristeza e, porque não, reconvertidos em alegria.

A mesma alegria que está no único lugar onde pode estar: ao lado da angústia e da tristeza, no eterno revezamento que nos faz reconhece-la pelo seu oposto.

Texto: Marcelo Salles

 

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