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DA DELÍCIA DA COR

As atmosferas invariavelmente espessas, saturadas de cor dessas telas de Fabíola Racy, contrastam com a ausência e o silêncio que elas igualmente exalam. Embora as cores sejam suas protagonistas, a ponto de dissolver pelas bordas os objetos, construções e paisagens que nelas se vêm representados, elas são rebaixadas, sóbrias, como um dia de sol que se quebra em mosaicos efêmeros graças ao trânsito contínuo das sombras despejadas pelo movimento das nuvens ou como um assobio intimidado pela quietude circundante. E essa baixa temperatura cromática, ao passo em que anima nossa introspecção, é grandemente responsável por uma certa impotência que nos atravessa quando as contemplamos; garante nossa desaceleração progressiva, a tendência ao estático que nos leva a observar impassíveis os objetos comuns depositados em balcões, os detalhes banais das estruturas, as paisagens longínquas recortadas por batentes e portas, as perspectivas simples e abruptas a sugerirem distâncias, as cadeiras vazias de costas como a enfatizar um espaço que se prolonga indefinidamente para o interior da tela, todas elas áreas que nos escapam, inatingíveis.

Por outro lado, e contraditoriamente, as cores estão logo aqui. Vê-las é o mesmo que mergulhar nelas, avançar com os olhos tentando penetrar em suas fibras, apalpando-lhes a carne densa e opaca, acompanhando o modo ostensivo como são aplicadas nas superfícies das telas através de pincéis achatados, largos, em camadas sobrepostas e deliberadamente descuidadas. Fabíola não hesita em aplicar sem disfarces uma cor sobre outra ou uma cor sobre ela própria. Essas veladuras criam zonas de flutuação como também pequenos abismos de margens esgarçadas. E a artista faz isso sem jamais incorrer num desenho nítido, sem lançar mão de linhas que funcionem como nervuras capaz de separar os objetos, entre o espaço da arquitetura e o da natureza. A linha límpida talvez afastasse a solução misteriosa, o compromisso com o enigma tão evidentemente perseguido por essas pinturas. Antes a atmosfera da sugestão do que a cifra mental e incisiva do desenho. E o resultado é que ficamos assim indecisos entre a significação das imagens e a presença das cores. O confronto com imagens leva ao reconhecimento, a reverberação do mundo com o conhecimento que dele trazemos embutido. O confronto com as cores apresentadas da maneira franca como nos oferece Fabíola, leva-nos à experimentá-las sem mediações, desarmados. Encontramo-nos com esses verdes, azuis, ocres, vermelhos, cinzas e brancos como se fora pela primeira vez, com o mesmo prazer e intensidade com que mordemos a polpa de uma fruta madura.

Texto: Agnaldo Farias

Exposição: 21 de agosto à 23 de outubro de 2010

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