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Rogério Pinto

Rogério não se preocupa com questões teóricas ou com a elaboração de um discurso para suas pinturas.  

Ele anseia pintar. 

Em um primeiro momento poderíamos pensar que esta ansiedade se traduz numa profusão de temas ou "estilos" e na utilização de elementos reconhecíveis com uma dose de algo, digamos, bizarro. Não é isso. Há uma coerência em seu fazer que vai se desnudando assim que tomamos contato com seus  trabalhos. Nesta produção recente o espaço unitário deixa de sê-lo através de uma divisão feita pelas imagens; poderíamos dizer que temos duas pinturas que foram colocadas lado a lado, mas esse procedimento é bem mais complexo e potente, pois confere a uma pintura dita "figurativa" uma outra camada de compreensão e, consequentemente, possibilita uma experiência da ordem que costumamos associar à pintura dita "abstrata", pois diminui o protagonismo da figuração potencializando-a enquanto ela mesma, ou seja, tinta sobre uma superfície bidimensional.  Sua fatura, seu processo de execução, é também algo mais “contemporâneo” de um ponto de vista da mescla de ações: as imagens que ele escolhe de cartazes antigos, almanaques, são compostos num programa, formatados para impressão e impressos em papel com suas cores alteradas em relação à imagem original; é neste suporte que ele trabalhará a pintura. Apesar da diminuição do protagonismo das imagens elas ainda retém algo que acaba por nos atrair. Esta atração que provocam pode ser explicada de maneira mais teórica como está acima, mas gosto de pensar que elas são extremamente atraentes e inusitadas, talvez pela total falta de pretensão ao fazê-las, algo que falta a uma "certa" pintura contemporânea; talvez por possuir uma relação extremamente verdadeira e honesta com o que faz, algo tão mais perceptível quanto menos tentamos nomea-lo. 

Marcelo Salles