Lucimares

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Lucimares

LUCIMARES  ARES  ES

O alerta de uma simulada incompletude momentânea, o inacabado em trânsito, o possível que está por vir, a apropriação hibridizada, o próximo que aconchega e envolve transgressivamente. Assim, as obras da exposição Lucimares, de Lucimar Bello, na Casa Contemporânea em São Paulo, apresentam-se em manifestos estéticos como estágios permanentemente fugazes e processuais. Resultado de uma pesquisa que aponta a delicadeza, simpatia e alegria como necessidades vigentes do mundo, assim como o necessário deslocar-se para participar.

As metáforas diluem-se porque a vivência atemporal é prioridade. E nesse fazer hibridizado, fica evidente (mas questionável) a necessária presença protagônica da artista, patenteada pela própria artista quando pontua Eu sou minha distância. Uma distância que é revisitada e fortalecida, como proposições que andam, que se anulam e reverberam e que se projetam em manifestos visuais de marcada carga estética particular, porque, como diserta Manoel de Barros, As coisas que não existem são mais bonitas, sinal latente no fazer de Lucimar.

O por fazer é o alerta do conjunto de obras da exposição. E não apenas um fazer de responsabilidade da artista; Lucimar divide esta responsabilidade com o espectador, ativando as motivações sensoriais através de todos os agentes artísticos contemporâneos: a obra de arte, a maleabilidade e o agenciamento de retroalimentação permanente nos processos de construção e assimilação das obras de arte. O espaço arquitetônico que se integra, aconchega e/ou dispara sensações e os fluidos gerados pela artista para os interlocutores são ativados por meio da construção de discursos agregadores, a partir de referências literárias direcionadas, como nas Proposições.

São obras que conjuram à sedução sensorial, como amalgamas entre estética e conceito, ratificando indissoluvelmente que estética é, seguindo os preceitos do filósofo Jacques Rancière, “uma configuração específica” do domínio da arte que precisamos aprender a ler. Neste caso, um manifesto em traços de curiosidade e continuidade infinitas.

Eclode, na pesquisa artística de Lucimar, uma permanente concepção autoral, desde a desconstrução de referências que transmutam forças cognitivas e se conjugam em fluídos, até as autorias particulares de similar força conceitual e projeção sensorial ilimitada. Aparecendo assim re-fragmentos completos como matrizes que se projetam em re-estruturas múltiplas, semânticas e nomenclaturas propositivas.

Nas Ações Performáticas episódicas, nos Edifícios de Vestir, A Casa Vestida, Não fui fabricado de pé e Proposições, Lucimar expressa a articulação de operações, a mescla de territórios multidisciplinares – espaciais, pictóricos, literários e, sobretudo, sensoriais – e propõe a diluição de fronteiras elucidativas. Como resultado dessas articulações, surgem manifestos artísticos inéditos, repletos de possíveis referências. Numa primeira proximidade, eles podem parecer díspares, mas ao surgirem rearranjados em outras relações, que vão se saturando e nos impregnando, sugerem e produzem novos sentidos, atingindo sensações e outros abismos, numa leitura sempre fluída, porém, inesperada.

Em algumas obras como as Viagens de Vezes e Viagens por Fazer, e nos títulos que identificam cada uma das obras, Lucimar estrutura diagramas heterotópicos a partir dos metaesquemas arquitetados. Diagramas estes resultantes da junção de talento, suportes e ações planejadas que, como resultado, expandem as peles plurais do território estético, concentrando-as em obras de arte conjugadas plasticamente por meio de técnicas e processos artísticos contemporâneos inovadores.

Andrés I. M. Hernández.
Curador, professor e produtor.
São Paulo, Inverno de 2018.

 

LUCIMARES  ARES  ES

The alert of a simulated temporary incompleteness, the unfinished in transit, the possible that is to come, the hybridized appropriation, the next one that comfort us and transgressively embrace us. The works of the exhibition Lucimares, by Lucimar Bello, at Casa Contemporânea, are featured as aesthetic manifestations of endless ephemeral and procedural stages. This is the result of a research that points out to the delicacy, the sympathy and the joy as current needs of the world; representing also the crucial movement we must do to participate.

The metaphors are diluted because the timeless living is a priority. And this hybridizing doing states clearly (but questionable) the necessary protagonist presence of the artist, confirmed by the artist herself when she expresses, I am my own distance. A distance that is revisited and strengthened, as propositions that walk, that cancel themselves and reverberate, as well as projected in visual manifests of an evident particular aesthetic load, because, as Manoel de Barros says, things that no longer exist are more beautiful, a latent indication Lucimar’s practice.

The undone is the alert of the set of works of the exhibition. And not just an act of responsibility of the artist, as Lucimar shares the responsibility with the spectator by activating the sensorial motivations through all the contemporary artistic agents: the work of art, the malleability and the canalization of the permanent feedback by the construction process and assimilation of the art works. The architectonic space that integrates itself, comfort and/or triggers sensations and the fluids generated by the artist to the interlocutors are activated by the construction of aggregating discourses from literary references, as in Propositions.

The works that brings up the sensorial seduction act as amalgams between aesthetics and concept, indissolubly ratifying that aesthetic is, following the precepts of the French philosopher Jacques Rancière, “a specific configuration” of the domain of the art that we must learn how to understand. In this case, a manifest of infinite curiosity and continuity.

From Lucimar’s artistic research emerges a permanent authorial conception, since the deconstruction of references that transmute cognitive forces and turn into fluids, to the particular compositions of similar conceptual force and unlimited sensorial projection. Thus, complete re-fragments appear as matrices that project themselves into multiple re-structures, semantics, and propositional nomenclatures.

In the episodic performances, as in Edifícios de vestir [Dress Buildings], A casa vestida [The Dressed House], Não fui fabricado de pé [I was not fabricated standing] and Proposições [Propositions], Lucimar expresses the articulation of operations and the mixture of multidisciplinary territories – spatial, pictorial, literary and, above all, sensorial – and proposes the dilution of elucidating boundaries. As a result of these articulations, inedited artistic manifests arise, full of possible references. At first, they may seem incongruent, but as they appear rearranged in other associations, they become saturated and impregnative, suggesting and producing new senses, reaching sensations and other abysses, in a fluid but unexpected reading.

In some of the pieces, such as the Viagens de vezes [Trips of turns] and Viagens por pazer [Travels to come], as in the titles of the works, Lucimar structures heterotopic diagrams from the architected metaesquemas. These diagrams are the result of the combination of talent, different medias and planned actions that expand the pluralistic skins of the aesthetic territory, concentrating them into works of art plastically featured as innovative contemporary artistic techniques and processes. 

            Andrés I. M. Hernández.
Curator, Professor e Producer.
Sao Paulo, Winter of 2018.

 

 

LUCIMARES  ARES  ES

La alerta de una simulada incompletud momentánea, lo inacabado en tránsito, lo posible por venir, la apropiación hibridada, el próximo que se acoge y envuelve transgresivamente. Así, las obras de la exposición Lucimares de Lucimar Bello en la Casa Contemporánea en São Paulo, Brasil,   se presentan en manifiestos estéticos como etapas permanentemente fugaces y procesuales. Resultado de una investigación que apunta a la delicadeza, la simpatía y la alegría como necesidades vigentes del mundo; así como el necesario desplazamiento para participar.

Las metáforas se diluyen porque la vivencia atemporal es prioridad. Y en ese hacer hibridado, es evidente ( pero cuestionable) la necesaria presencia protagónica de la artista, corroborado  por la propia artista cuando puntualiza, Yo soy mi distancia. Una distancia que es revisitada, fortalecida, como proposiciones que andan, que se anulan y reverberan y que se proyectan en manifiestos visuales de marcada y particular carga estética, porque, como diserta Manoel de Barros, Las cosas que no existen son más bonitas, signo latente en el sentido hacer de Lucimar.

El por hacer es la alerta del conjunto de obras de la exposición. Y no sólo un hacer de responsabilidad de la artista; Lucimar divide esta responsabilidad con el espectador, activando las motivaciones sensoriales con todos los agentes artísticos contemporáneos: las obras de arte, la maleabilidad y la organización de la retroalimentación permanente en los procesos de construcción y asimilación de los mismas. El espacio arquitectónico que se integra, acoge y / o dispara sensaciones y los fluidos generados desde la artista para los interlocutores son activados por medio de la construcción de discursos inclusivos a partir de referencias literarias dirigidas, como en las Proposiciones.

Son obras que conjuran a la seducción sensorial, como amalgamas entre estética y concepto, ratificando indisolublemente que la estética es, siguiendo los preceptos del filósofo Jacques Rancière, “una configuración específica” del dominio del arte que necesitamos aprender a leer, en este caso, un manifiesto en rasgos de curiosidad y continuidad infinitas.

En la investigación artística de Lucimar, hay una permanente concepción autoral, desde la desconstrucción de referencias que transmutan fuerzas cognitivas y se conjugan en fluidos, hasta las autorías particulares de semejante fuerza conceptual y proyección sensorial ilimitada. Apareciendo así re-fragmentos completos como matrices que se proyectan en re-estructuras múltiples, semánticas y nomenclaturas propositivas.

En las Acciones Performáticas episódicas, en los  Edifícios de Vestir, A Casa Vestida, Não fui fabricado de pé, y en Proposições, Lucimar expresa la  articulación de operaciones, la mezcla de territorios – espaciales, pictóricos, literarios, multidisciplinares y, sobre todo,  sensoriales – y propone la dilución de fronteras literales de interpretación. Como resultado de esas articulaciones, surgen manifiestos artísticos inéditos que irrumpen repletos de posibles referencias. En un primer contacto con ellos, pueden parecer dispares, pero al surgir reordenados en otras relaciones, que se van saturando y nos impregnando, sugieren y producen nuevos sentidos, alcanzando sensaciones y otros abismos, en una lectura siempre fluida, sin embargo inesperada.

En algunas obras como Viagens de Vezes e Viagens por Fazer, y en los títulos que identifican cada una de las obras, Lucimar estructura diagramas heterotópicos a partir de metaesquemas estructurados. Diagramas estos resultantes de la unión de talento, soportes y acciones planificadas que, como resultado, expanden las pieles plurales del territorio estético, concentrándolas en obras de arte conjugadas plásticamente de técnicas y procesos artísticos contemporáneos innovadores.

Andrés I. M. Hernández.
Curador, profesor y productor.
São Paulo, Inverno de 2018.