Ateliê de Criação Sensível Práticas de experimentação em aquarela e investigação artística

Ateliê de Criação Sensível Práticas de experimentação em aquarela e investigação artística
Zwei Arts

Curso

Ateliê de Criação Sensível Práticas de experimentação em aquarela e investigação artística, com Roberta Bottcher

O Ateliê de Criação Sensível é um espaço de experimentação artística voltado à prática da aquarela como linguagem viva, que compreende o fazer artístico como um processo de atenção e escuta.

A proposta convida os participantes a entrar em contato com água, pigmento e gesto, explorando a materialidade e a imprevisibilidade próprias desse meio. A transparência e a fluidez da aquarela tornam visível esse diálogo.

Mais do que o ensino técnico, o ateliê se estrutura como um campo de investigação sensível, onde o processo de criação é tão importante quanto o resultado.

Os participantes são incentivados a experimentar sem expectativas rígidas, permitindo que o erro, a surpresa e o acaso se tornem parte da construção da imagem.

O objetivo é oferecer condições para que cada participante desenvolva sua própria relação com a pintura, construindo um caminho singular a partir da experiência direta com a matéria, não sendo necessário ter experiência prévia em aquarela.

O curso combina momentos de demonstração técnica, experimentação prática e observação compartilhada dos trabalhos realizados.
As aulas são organizadas como um ateliê de experimentação, onde movimento, curiosidade e troca entre os participantes fazem parte do processo criativo.

Os alunos trabalham principalmente em seus próprios sketchbooks ou suportes individuais, de modo que possam reunir experimentações, estudos e descobertas ao longo do curso. Esse material funciona como um espaço de pesquisa pessoal que pode continuar a se desenvolver também fora do tempo do ateliê.

A condução valoriza a escuta, a curiosidade e o tempo de cada participante, sustentando processos humanos com delicadeza, de modo que a experiência com a aquarela possa se tornar um espaço de descoberta, expressão e investigação.

Princípios da Criação Sensível
A abordagem da Criação Sensível orienta o modo como o ateliê é conduzido e se apoia em alguns princípios fundamentais:
Experimentar sem expectativas
O primeiro passo é abrir espaço para a experimentação livre, permitindo que os participantes se aproximem da aquarela sem a pressão de produzir resultados imediatos.

Relação com a materialidade
Água, pigmento e papel são compreendidos como elementos ativos do processo criativo. A pintura surge do diálogo entre gesto humano e comportamento da matéria. O erro como material.
Quando tudo pode ser investigado, o erro deixa de ser um obstáculo e se torna parte do processo. Na aquarela, manchas inesperadas muitas vezes abrem caminhos para novas imagens.

O segundo olhar
Depois da experimentação, os participantes são convidados a observar novamente seus trabalhos secos. Esse retorno à imagem muitas vezes revela relações e sentidos que não estavam visíveis no momento da criação enquanto o papel ainda estava úmido.
Descoberta de processos pessoais
Cada participante é encorajado a desenvolver sua própria forma de trabalhar com a pintura/cores. O ateliê não busca formar um estilo comum, mas abrir espaço para que diferentes processos de criação possam surgir.

Estrutura do curso
O curso é organizado em encontros que articulam fundamentos técnicos da aquarela com experimentação prática e desenvolvimento de pequenos estudos.
A divisão em dez encontros é feita para organizar o percurso de forma didática, respeitando 0
tempo de cada participante dentro de seu processo.
Os encontros estruturam o início do trabalho, mas não encerram a proposta do ateliê, que pode seguir em novos ciclos, acompanhando o desenvolvimento de cada participante.

Encontro 1 – Introdução ao ateliê e à matéria da aquarela
Liberdade inicial de exploração
Apresentação do curso e da proposta do Ateliê de Criação Sensível.
Primeiro contato com os materiais da aquarela:

  • Papéis (celulose, algodão, misto, rugoso, prensado a frio e prensado quente),
  • Água (molhado sobre molhado, molhado sobre seco, seco sobre seco),
  • Pigmentos (transparentes, opacos, semi opacos),
  • Pincéis (cerdas naturais, sintéticas),
  • Manchas e acidentes.

Os participantes realizam pequenas experimentações para observar o comportamento da água e da tinta no papel.
O aluno começa a perceber:

  • como a água se move,
  • como o pigmento abre,
  • como o papel reage.
    Objetivo: desenvolver atenção à matéria e às primeiras transformações da aquarela.

Encontro 2 – Água e movimento

Investigação da importância da água na aquarela.
Experimentos simples que incluem:

  • Água sobre pigmento (borrifador),
  • Pigmento sobre água (molhado sobre molhado),
  • Deslocamentos da tinta (por exemplo a sedimentação do cerúleo),
  • Inclinação do papel.

Objetivo: perceber como a água cria manchas, deslocamentos e formas inesperadas.

Encontro 3 Tempos de secagem
Observação das possibilidades de ação em decorrência do tempo de secagem do papel

  • Papel molhado: com papel e tinta ainda bem úmidos, é possível acrescentar, remover e mover os pigmentos com maior liberdade.
  • Papel meio seco: momento propício para retirar os pigmentos para abrir luz, acrescentar água para expandir manchas ou introduzir pigmento mais concentrado, criando variações de cor.
  • Papel seco: a superfície já não permite intervenções diretas abrindo espaço para sobreposições e veladuras. Nesse estágio, as camadas passam a estruturar a pintura que, geralmente, se inicia com cores mais claras, mais diluídas e avança para tonalidades mais intensas.

Objetivo: desenvolver confiança no enfrentamento do papel seco e na condução do processo, compreendendo o tempo como parte fundamental para as novas pinceladas.

Encontro 4 Comportamento dos pigmentos e suas materialidades
Observação das diferentes características dos pigmentos da aquarela:

  • Pigmentos transparentes,
  • Pigmentos semi opacos,
  • Pigmentos opacos,
  • Pigmentos que granulam,
  • Pigmentos naturais e sintéticos.
  • Pequenas experimentações são realizadas para observar como cada pigmento reage no papel.

Objetivo: compreender como a natureza do pigmento influencia na pintura

Encontro 5 – Círculo cromático vivo
Introdução às relações básicas entre as cores a partir da própria paleta.
Observação prática de:

  • Cores complementares,
  • Mistura de cores próximas,
  • Formas de escurecer cores sem usar o preto,
  • Aquecer ou esfriar uma mistura.

O círculo cromático aparece como um mapa de relações entre pigmentos.
Objetivo: compreender de forma sensível como as cores dialogam na aquarela.
Esta forma de observar é fiel à natureza da aquarela que nos ensina a dialogar com a matéria e a acolher o inesperado.
Assim, nesta aula surgem duas coisas muito importantes:
Primeira, a materialidade: quando os participantes entram em contato físico e sensível com a tinta e podem sentir:

  • a água no papel,
  • a transparência do pigmento,
  • a mistura inesperada das cores,
  • a textura do gesto.

Segunda coisa é a imprevisibilidade: quando a pessoa começa a dialogar com o material, não a dominá-lo pois a aquarela ensina algo raro:

  • nem tudo pode ser controlado,
  • o acaso participa,
  • o material responde.

No Ateliê, os participantes são convidados a explorar a materialidade e a
imprevisibilidade da aquarela, entrando em contato com a água, o pigmento e o gesto como elementos vivos do processo criativo.

Encontro 6 — Preparação da paleta
A pintura começa na paleta.
Os participantes experimentam:

  • Criação de poças de tinta,
  • Diferentes densidades de pigmento (granulações),
  • Transparência e opacidade das tintas,
  • Diluições variadas (chá, leite e mel).

Esse momento é de preparação das cores que irão compor a pintura.
Objetivo: desenvolver consciência da preparação dos pigmentos antes da aplicação no papel. Aqui, o tempo de preparo das cores é lento, consciente e experimental.

Encontro 7 — Manchas e atmosferas
Exploração de manchas como campo de criação.
Os participantes experimentam:

  • Campos de cores (manchas contínuas),
  • Encontros/reações entre pigmentos,
  • Formação de atmosferas e transições (degrades, temperaturas, luz e sombra).

Objetivo: desenvolver a percepção da pintura como processo aberto, temperaturas, onde o erro é acolhido e visto com surpresa ou como desejo consciente.

Encontro 8 — Sobreposições e camadas
Introdução às camadas na aquarela.
Investigação de:

  •  Sobreposição de manchas ou camadas,
  • Variações tonais,
  • Construção gradual da pintura,
  • Profundidade e temperatura (paisagens).

Objetivo: compreender como as camadas criam profundidade e complexidade visual.

Encontro 8 — Sobreposições e camadas
Introdução às camadas na aquarela.
Investigação de:
• Sobreposição de manchas ou camadas,
• Variações tonais,
• Construção gradual da pintura,
• Profundidade e temperatura (paisagens).
Objetivo: compreender como as camadas criam profundidade e complexidade visual.

Encontro 9 — Projeto pessoal
Cada participante inicia uma investigação própria.
Podem surgir temas como:

  • Pedras/texturas,
  • Folhas/flores,
  • Manchas abstratas,
  • Memórias,
  • Elementos naturais (céu, nuvens, água).

O foco está no desenvolvimento do processo individual.
Objetivo: estimular a autonomia criativa.

Encontro 10 — Observação e partilha
Dedicado à observação dos trabalhos realizados.
Os participantes compartilham seus processos e descobertas.
A conversa propõe um novo olhar sobre as pinturas, permitindo perceber caminhos e transformações que surgiram ao longo do curso.
Objetivo: valorizar o processo de criação e a escuta coletiva.

Público
O ateliê é aberto a artistas e pessoas interessadas em processos de criação artística, independentemente do nível de experiência em pintura e desenho, que tenham curiosidade sobre criação artística, queiram experimentar materiais, desejem investigar processos visuais e tenham interesse em arte contemporânea.

Materiais
O aluno deverá trazer os materiais sugeridos abaixo. Para quem preferir, há a possibilidade de adquirir um kit básico diretamente com a artista. Caso o participante já tenha seus materiais, eles serão muito bem-vindos.

  • Jogo de tintas de aquarela em tubo ou pastilha com as cores primárias e secundárias: Alizarin Crimson, amarelo poética, ocre, cobalto, cerúleo, ultramar, terra de Siena e terra queimada, dioxazine ou violeta de Cobalto, Magenta e verde sap green),
  • Caso opte por pastilhas, é sugerido um estojo de metal para 12 cores,
  • Bloco de papel para aquarela 300g/m2,
  • Bloco de papel Pólen 90g/m2 para estudos rápidos e anotações,
  • Lápis grafite ou lapiseira 2B,
  • Borrachas limpa tipo e branca comum,
  • Pincéis macios de cerdas naturais ou sintéticas números 2, 4 e
  • Godê com várias divisórias,
  • Pano para secagem dos pincéis.

Serão oferecidos materiais de suporte como: potes para lavagem dos pincéis e papel absorvente.

Observação
O valor do kit de R$800,00 reais, poderá ser incluído na primeira mensalidade.

Serviço:

Datas:
quartas-feiras, das 14:30h às 17:30h.
INÍCIO: 13/05/2026
Investimento:

  • Semanal: R$490
  • Quinzenal: R$310

Sobre Roberta Bottcher

Artista visual e psicóloga. Ao longo de duas décadas, desenvolveu uma trajetória em que arte e clínica se entrelaçam, utilizando processos criativos como forma de escuta e elaboração subjetiva.

Em 2010, muda-se para São Paulo, onde aprofunda seus estudos em História da Arte e artes visuais, com especial dedicação à aquarela. Nesse período, passa a investigar de forma mais consistente sua prática artística.

Sua pesquisa articula memória, tempo e materialidade, explorando a maneira como experiências presentes se transformam em registros sensíveis que atravessam diferentes camadas do cotidiano à ancestralidade. Seu trabalho se constrói a partir de um campo de tensões entre presente e passado, onde gesto, matéria e observação se organizam em processos contínuos de elaboração que transbordam na pintura.