Exposições
Água Forte
Os detalhes do mundo, vistos por Thomas Lewinsohn
Exposição Individual

Esta mostra reúne fotografias de Thomas Lewinsohn, produzidas ao longo dos últimos anos, de norte a sul do litoral brasileiro. Ela é a continuidade de um ciclo que começou, há mais de dois anos, quando nos debruçamos sobre esse vasto conjunto de imagem e nos permitiu organiza-lo conceitualmente pela primeira vez, surgia assim a exposição Entre Marés no Pavão Cultural (Campinas_S.P.) em 2024. No ano seguinte novo projeto, novas imagens, que se materializaram no livro Água-Forte, título desta mostra. O olhar atento sobre os pequenos detalhes dessa paisagem e a passagem do tempo estruturam toda a pesquisa visual que você verá em seguida. É no campo do sensível que as imagens se
repousam e não do descritível.
Produzidas no amplo território litorâneo, o gênero da paisagem é inescapável neste conjunto de imagens. As vistas topográficas, no entretanto, anunciam e situam um corpus mais amplo de fotografias, em que composições formais rigorosas surgem como enigmas a desafiar nossa compreensão. A obra de Thomas se estrutura na exploração desses dois eixos complementares: de um lado ela faz parte da tradição da fotografia de paisagem, onde um ponto de vista frontal organiza a imagem, de outro, ela se insere na linhagem da fotografia que ressignifica o banal, o que escapa da nossa percepção apressada do mundo que nos rodeia, onde a matéria estrutura formas.
Fotografar é selecionar e construir um ponto de vista. O olhar de T. Lewinsohn , após perscrutar pacientemente esse território, promove a construção de novas paisagens visuais, onde a abstração e a figuração estão em permanente fricção. Estas imagens provocam, a um só tempo, nossa percepção e imaginação visual e carregam, em sua superfície, um acúmulo de instabilidade, indeterminação e as marcas de uma (in)certa temporalidade. Elas nos abrem para uma dimensão poética inesperada: inscrições ferrosas na rocha sugerem figuras; ondas deixam suas marcas, cíclicas; continentes emergem na areia. Vamos assim de um enigma ao outro. Podemos pensar as imagens de Thomas Lewinsohn como reveladoras dessas paisagens do inconsciente e das coisas, do concreto e do fugidio, da aparição e do esvanecimento, e não é justamente nesse lugar que se situam os sonhos?
Eder Ribeiro, 2026
SERVIÇO
Exposição: Água Forte. Os detalhes do mundo, vistos por Thomas Lewinsohn
Lançamento do livro: Sábado, 26 de Setembro de 2026, as 11h30
Abertura: Sábado, 26 de Setembro de 2026, das 11h às 17h
Visitação: 29 de Setembro a 24 de Outubro
De terça a sexta-feira, das 14h às 18h
Sábado, das 11h às 17h
Entrada gratuita
Classificação etária: Livre
Local: Casa Contemporânea
Rua Capitão Macedo, 370 – Vila Mariana, São Paulo (SP) – 04021-020
Thomas Lewinsohn
Iniciou sua trajetória na fotografia no fim dos anos 1960, aprendendo a revelar e ampliar em preto e branco em um fotoclube em Niterói, e em cores na Kodak do Rio. Trabalhou em fotografia industrial e científica e também registrou a cena cultural carioca nos anos 1970. Em 1971, estagiou na seção de fotografia do Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, e, em 1972, foi membro fundador da cooperativa Photogaleria,
no Rio de Janeiro. Encerrou essa fase realizando a capa do lendário disco Imyra-Tayra-Ipy de Taiguara, em 1976. Retomou a fotografia como exploração autoral há cerca de duas décadas. Em 2023, participou de workshops e leituras de portfolio nos Encontros de Fotografia em Arles. Em 2024, realizou a exposição Entre Marés, com curadoria de Éder Ribeiro, no Pavão Cultural, em Campinas. Em 2026, publicou seu primeiro fotolivro, Água-Forte, pela Lovely House Editora, apresentado no 15o Foto em Pauta em Tiradentes. Biólogo e Doutor em Ciências, Lewinsohn é Professor Emérito da Unicamp e um dos pioneiros da pesquisa em biodiversidade no Brasil. Sua trajetória científica inclui atuação como pesquisador e docente em instituições brasileiras e internacionais, além de trabalhos junto a agências de fomento e organismos como o Ministério do Meio Ambiente e o Banco Mundial. Na Alemanha, ocupou a Cátedra de Excelência da Universidade Técnica de Munique e foi fellow do Instituto de Estudos Avançados de Berlim.
Eder Ribeiro
Curador, artista e editor, baseado em São Paulo, possui mestrado em Arquitetura (Ecole National Superièure d’Architecture Paris Malaquais) e Artes visuais/Fotografia (Université Paris 8). Tem como principais eixos de pesquisa, a fotografia vernacular/anônima, a fotografia contemporânea e o fotolivro. Colaborou com as galerias Le Douches la Galerie (Paris) e RocioSantaCruz (Barcelona), com a ABACT (Associção Brasileira de Arte Contemporânea) e com a Feira de publicações ArtsLibris, (Barcelona). Em 2017 criou o projeto esquina de pesquisa curatorial ( Fotografia e além- 2017, A ilusão da casa -2018), do qual foi curador e produtor.
Coordenou dois Grupos de Estudos ligados à narrativa fotográfica e o fotolivro, na Casa Contemporânea em São Paulo e em Ribeirão Preto, além de ministrar curso de linguagem fotográfica e publicação na Escola Portfolio de Curitiba (PR). Produziu e fez a curadoria das exposições: foto-texto, When we left to the moon de Vitor Bossa (2020) e Identidades Vernaculares (2021), na Casa Contemporânea/São Paulo. Foi um dos coordenadores do Festival IMAGINÁRIA (2021), dedicado ao fotolivro e jurado do Prêmio Lovely 2022 do mesmo Festival. Foi o curador da exposição Cadernos de artista (2021 e 2023) no Anexo Lona Galeria, em São Paulo, Identidades vernaculares na Casa Contemporânea e Territórios no Centro Cultural Correios/SP e MARP (Ribeirão Preto).
Atualmente se dedica à edição de fotolivros e livros de artista, prestando assessoria a diferentes artistas, através da alter edições, casa de edições independente, além de coordenar o Atelier Alter, espaço expositivo e de desenvolvimento de projetos ligados às publicações.















